• Laura Stoppa

O que define a "pegabilidade"

O quanto uma pessoa é “pegável” é determinante para a vida sexual dela. Entretanto, como isso é determinado - ou por quem?

Sabe aquela faísca que algumas pessoas têm? A ciência tentou explicar...

Quando estamos em grupo, há uma compreensão que fica em um nível quase inconsciente, uma sabedoria coletiva de quais são as pessoas mais “desejáveis” daquele ambiente. Parece, muitas vezes, que essa é uma verdade que pode ser baseada tanto na aparência física quanto na postura e “histórico” daquela pessoa - muitas vezes sendo o caso de ser considerado o pegador ou pegadora daquele grupo, o que pode ser ou não bem visto naquele contexto social.


Tenho pensado sobre os elementos que fazem alguém ser mais ou menos “pegável” e, pesquisando, cheguei ao estudo conduzido Samantha Joel, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Ela e dois colegas, Paul Eastwick e Eli Finkel, utilizaram “speed dating”, ou seja, encontros rápidos de até 4 minutos entre desconhecidos - no caso 350 estudantes universitários - para tentar medir e descobrir se conseguiam prever a atração. Em outros termos: queriam saber se era possível antecipar quem ia gostar de quem.


A ferramenta para tanto era um grande pacote de questionários que envolviam traços pessoais e preferências. E então os pesquisadores usaram algoritmos para comparar e prever os perfis compatíveis. Mas, como Samantha explica em seu TED, quando as pessoas se colocam em situações como essas é preciso ter em mente duas coisas: primeiro que elas precisam realmente gostar do que colocaram no papel que gostam e segundo que, quando estão cara a cara com uma parceria em potencial, o cenário tende a mudar.


A conclusão dos pesquisadores foi de que era possível prever até 18% da tendência de uma pessoa se interessar por outras. Também conseguiram prever quem poderia ser mais desejável, considerado mais atraente que os outros, com até 27% de precisão. Porém, não conseguiram prever atração entre duas pessoas específicas, ou seja, pares ideias, de forma alguma, mesmo utilizando mais de 100 categorias de traços e preferências - e suas combinações.


Então, mesmo conseguindo em algum nível mensurar o quanto uma pessoa pode ser desejável e aparentar ser interessante para uma maioria, a chance de atração específica entre ela e outros não pode ser antecipada. Na minha visão, quando falamos em “pegabilidade” - ou seja, na probabilidade de uma pessoa conseguir chamar mais ou menos atenção das outras, provocando desejo e despertando atração sexual -, falamos também em algo que não conseguimos ainda definir o que é. Gosto de chamar de borogodó.


Existem muitos outros estudos que envolvem feromônios, as substâncias químicas que nos ajudariam a escolher parceiros sexuais, similaridade física e simetria facial, por exemplo. Um estudo liderado pela Dra. Kendra Schmid, do Centro Médico da Universidade de Nebraska, conseguiu através de diversas fórmulas matemáticas provar o papel da simetria facial na atração e no entendimento de uma pessoa como atraente. A fórmula mágica tem base em 29 pontos faciais que incluem, entre outros, a largura facial e a distância entre os olhos e resultavam numa escala de 1 a 10. Para se ter uma ideia, a nota do rosto do Brad Pitt foi 9.6. E da Angelina Jolie 7.1. Uma pessoa “na média” estaria provavelmente entre um 4 ou 5. Um exemplo biológico para ilustrar a importância dessa simetria toda para nós é saber que as mãos e orelhas das mulheres tornam-se mais simétricas durante a ovulação.


Então, é claro, existem diversos fatores que podem interferir tanto no que que atrai quanto no que gera um desejo de aproximação ou relacionamento com alguém. Há fatores biológicos, psicológicos e sociais que coexistem nesses contextos e ajudam a definir quem vai ser atraente, especificamente, para você. Muito dessa combinação terá a ver com seus gostos e sua história e também com seu grupo social, ou seja, as pessoas com quem você convive e o que vocês consideram importante - Beleza? Inteligência? Posição política? E por aí vai. O negócio é que às vezes, mesmo achando que nos conhecemos e sabemos do que gostamos, podemos nos surpreender e perceber que estamos sentindo atração por alguém que nem imaginávamos. Nessas o estudo liderado por Joel já sacou: atração é algo complexo demais para se medir ou tentar prever.


-

E você, o que acha que é importante para a atração? Como você acha que é medida sua pegabilidade pelos outros? Ou o que você costuma reparar quando está analisando alguém?