• Laura Stoppa

Menstruar ou não: eis a questão


Ao mesmo tempo em que há um movimento atual pelo resgate e ressignificação da relação com a menstruação, muitas mulheres optam por não menstruar. É ótimo viver em um momento em que temos opções e as razões para escolher tanto menstruar quanto não menstruar são diversas.

A ideia de que a menstruação é necessária e importante para “limpar” o organismo vem de gerações passadas, mas está biologicamente equivocada.


Menstruação não é detox: é apenas um sinal do corpo de que naquele mês a mulher completou um ciclo preparatório para uma gravidez que não aconteceu.

Por isso, com acompanhamento médico, não tem nenhum problema do ponto de vista fisiológico escolher não menstruar mais se esse for seu desejo. E o profissional poderá indicar o melhor método para que isso aconteça.

Alguns motivos pelos quais as mulheres decidem interromper a menstruação são:


📍 os sintomas relacionados à ela, como tensão pré-menstrual (TPM) com fortes cólicas, diarreia e vômitos;

📍 por problemas de saúde que necessitam da interrupção como a endometriose, a presença de cistos no ovários ou de miomas e a anemia falciforme;

📍 por não gostarem de menstruar e não verem necessidade disso.

Este último item talvez seja o mais polêmico porque há uma cobrança social e mesmo um entendimento generalizado pelo senso comum de que o “natural” é menstruar. Mas existem inclusive profissionais da medicina que defendem o contrário. Há muito tempo o comum era não menstruar, justamente porque as mulheres emendavam uma gravidez na outra, tinha a menarca (primeira menstruação) mais tarde e morriam mais cedo, ou seja, passavam quase que toda a vida ciclando e tendo seus óvulos fecundados.

Independente de linha teórica, cada um vai ter uma opinião sobre o assunto. O importante é cada pessoa conhecer o próprio corpo e buscar acompanhamento médico para, assim, poder tomar a melhor decisão para o seu caso. Nossas decisões sobre nossos corpos podem não ser compreendidas pelos outros e pela sociedade, mas merecem todo o respeito e são soberanas.

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