• Laura Stoppa

Como sobreviver aos aplicativos de relacionamento



Se você tem 20 e tantos ou 30 e poucos anos presenciou o boom do surgimento dos aplicativos de relacionamento, no Brasil encabeçado pela chegada do Tinder em 2013. Se você não estava em um relacionamento nessa época (ou estava, vai saber), provavelmente também fez o download do aplicativo e começou a saga de deslizar para a direita e para a esquerda em busca de sexo, encontros ou um relacionamento “sério”. Outra possibilidade é que você não tenha baixado nenhum app do tipo por receio - como isso vai funcionar? Será que só tem gente estranha? - ou por aversão a conhecer pessoas virtualmente.


Enfim, seja qual for sua posição perante estes aplicativos, eles estão aí e parecem ter vindo para ficar. Mesmo após cinco anos da chegada do Tinder no Brasil, eles não param de crescer em número de usuários, receita e possibilidades. Separei alguns tópicos relevantes sobre o assunto para tentar ajudar aqueles que estão meio perdidos ou que querem começar a usar, os que possuem algum preconceito ou que apenas desejam saber mais sobre essas ferramentas. Com tantas opções e informações por aí, é preciso um guia de sobrevivência para se aventurar pelos apps.


AH, É UM CARDÁPIO HUMANO


É. Mas a vida também é, né colega? Se você for conhecer alguém da forma mais “comum”, por assim dizer, como num bar, a primeira coisa que vai analisar é a aparência física e ver se rola ou não atração estética (já falei sobre os tipos de atração aqui). A diferença pro aplicativo é que a atração estética pode ou não vir pelas fotos, que normalmente são as melhores daquela pessoa, e podem ou não ter a ver com a pessoa em movimento, digamos assim. Eis aqui uma vantagem dos aplicativos: não precisamos ficar somente na dimensão da estética. Dependendo da descrição do perfil e das opções do app, antes mesmo de se falarem é possível ter informações como posições políticas, crenças religiosas e outras questões que podem ser muito importantes para você.


GENTE ESQUISITA?


Não, não são só “perdedores” ou “tarados” que usam aplicativos de encontro. São pessoas como você e eu. Pode ser aquele cara tímido e meio nerd que não tem como conhecer numa balada ou uma mina que vive viajando por causa do trabalho e não tem tempo de conhecer gente num bar. Lembrar que você está falando com outra pessoa, aliás, é fundamental quando se inicia uma conversa por app. Muita gente se esquece disso e não liga, apenas por não estar vendo, para os sentimentos dos outros achando que não dá para magoar ou rejeitar virtualmente. E dá. Vale lembrar que crimes virtuais são cada vez mais denunciados e devidamente punidos. Se rolarem abordagens estranhas e conversas perigosas, faça como faria na vida real: fuja. E proteja-se: não exponha nada que seja pessoal demais e que você possa se arrepender.


VOCÊ PODE (E DEVE) SER VOCÊ E PRONTO


Tem muitas pessoas lá e por isso é a chance de você ser exatamente quem é e buscar alguém que tenha super a ver com o que você procura. Honestidade - sem grosseria, claro - minimiza as chances de um date ruim. Se você sacou que a pessoa tá buscando a mesma coisa que você por lá, aproveite ao máximo para conversar e não demore muito para marcar algo ao vivo. Vocês estão separados por uma tela então é preciso investir em demonstração de interesse porque ninguém é vidente. Ou você pode conhecer um vidente lá também, olha que coisa.


AS RELAÇÕES FICAM MUITO LEVIANAS ETC ETC


Um em cada três casamentos resulta em divórcio no país. As relações já estão menos duradouras há tempos. Se estão menos “sérias” por causa disso eu já não sei dizer. Vincular tempo a qualidade realmente parece não fazer muito mais sentido. Será um casamento de 50 anos um caso de sucesso apenas por sua duração? Ou será que aconteciam contextos de abuso no qual o elo mais fraco não podia se libertar por questões financeiras e sociais? Ter o fim de uma relação na cabeça não significa desejar que ela termine, mas sim reconhecer sua fragilidade. Cabe aos envolvidos saber que são pessoas completas e que a relação precisa agregar e ser boa para todos, investindo nos seus pontos fortes e arrumando o que precisa ser desenvolvido, através de comunicação eficaz e renovação de contratos, por exemplo. Dá trabalho, bicho. Mas nada disso é “culpa” da forma como as pessoas se conheceram, isso é inerente à vivência humana. Os apps são apenas uma ferramenta, assim como a internet ou uma faca. Todas podem ser utilizadas para algo produtivo ou não. Não matem o mensageiro, ok?


TEMPO E PACIÊNCIA


Escuto muitos relatos de gente que se cansa, deleta o aplicativo, não tem paciência para ficar perdendo muito tempo do dia deslizando e conversando, etc. Sim, é preciso paciência e você vai gastar algum tempo nisso se quiser usá-los. Mas não precisa ser o dia todo nem todos os dias. Se for ajudar, estabeleça “vou ficar x minutos por dia nos apps” ou “vou entrar toda segunda e quarta”, sei lá. Faça o que funciona para você e não coloque tanta pressão assim na coisa. E, se cansar, fique um tempo sem usar e depois volte se quiser. Mas, se pegar aversão mesmo, tá tudo bem deletar. E aí dá pra tentar outro app que tenha mais a ver com você ou até desistir dos relacionamentos que começam virtualmente mesmo. Acontece: não é todo mundo que vai usar nem gostar. É apenas bom ter em mente que é mais uma ferramenta e uma possibilidade de conhecer gente nova, que você poderia não conseguir conhecer de outra forma por não terem amigos em comum, frequentarem os mesmos lugares ou mesmo por não morarem por perto. Abrir-se para novas experiências pode ser surpreendente e normalmente conseguimos aprender muito tanto com as boas quanto com as meio frustrantes.


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Existem várias outras questões que ainda quero abordar por aqui sobre os aplicativos. Se tiver sugestões, fale comigo pelo laura@transemos.com. Gostou? Compartilha com os amigos para eles lerem também!

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